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Brasil

09/06/2026 às 23h03

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Redacao

Maringá / PR

O OVNI do Paraná talvez não revele nada sobre extraterrestres, mas revela muito sobre terráqueos
O OVNI do Paraná talvez não revele nada sobre extraterrestres, mas revela muito sobre terráqueos

A hipótese mais devastadora é também a mais prosaica: as luzes misteriosas seriam luminárias de uma chácara na encosta. Um rapaz foi até a posição da casa do Mayk, filmou as mesmas luzes, falou com os donos do lugar e, quando as luzes foram apagadas, o disco voador também sumiu.


Ufologia com interruptor. Brasil, sempre generoso com a ciência.


Mas o caso não é só sobre gente enganada. Isso seria fácil demais. O mais interessante é o circuito inteiro do engano: a pessoa que talvez se engane, a pessoa que talvez perceba que o engano rende, e uma multidão disposta a acreditar porque a realidade anda pobre demais para competir com uma nave no quintal.


A psicologia social conhece bem esse roteiro. A gente vê o que deseja ver, confirma o que já queria acreditar, protege a própria crença quando ela começa a desmoronar e chama de “prova” aquilo que, no fundo, é só vontade organizada.


Nas redes, isso ganha turbina. Não basta ver uma luz; é preciso narrar a luz, dramatizar a luz, chorar diante da luz, transformar a luz em mistério, vaquinha, publicidade, seguidores e identidade.


O algoritmo não pergunta se é verdade; pergunta se engaja. E engaja.


Engaja porque o crédulo quer encanto, o cético quer método, o debochado quer palco, o influencer quer crescimento e a mentira quer apenas uma tomada.


No fim, talvez não tenha pousado nave alguma.


Mas pousou uma verdade bem humana: somos capazes de nos enganar, de enganar os outros e de defender o engano comovidos, como se estivéssemos protegendo o último vestígio de magia num mundo iluminado demais por luminárias de chácara. (Por Julio Benchimol Pinto)


 

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